Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

A vida passa lá fora



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A vida passa lá fora, como se nada fosse, e sinto que o meu tempo foi-me roubado nestes últimos meses, o que não fiz e queria muito fazer, se a minha vida acabasse agora estaria incompleta, provavelmente ficará sempre incompleta, mas quero que seja o mais preenchida na medida do possível. Quando somos jovens pensamos que temos todo o tempo do mundo, depois o tempo transforma-se num túnel, cada dia mais afunilado, e aí cada dia passa a valer muito mais que as vinte e quatro horas estipuladas. Deixamos de considerar como úteis tarefas que antes eram imprescindíveis, e sinto que talvez venha a valorizar as horas vazias e os dias de coisa nenhuma, pois neles completo aquilo que me falta, que é ter tempo para mim, como num final de uma maratona, que ao esforço importa apenas depois descansar. 

 

 

A vida passa lá fora,

Ou na pressa de uma roda,

Ou na altura de uma asa,

Ou na paz de uma cantiga;

E vem guardar-se num verso

Que eu talvez amanhã diga.



 

 

Poema de Miguel Torga

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