Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Andar a pé, viralizando no dedão

A sociedade parece uma feira de velharias, onde se exibem nas bancadas as preciosidades de antigamente.

E não é que há um vídeo, aí por essa internet fora, viralizado como se diz na gíria, de uma rapariga a filmar-se a andar desde o Cais do Sodré até Odivelas, durante o caminho fez vários vídeos para as suas stories do Instagram aos quais os amigos foram respondendo. A proeza teve até direito a nota de imprensa na NiT, ficámos então a saber que a rapariga não tem dinheiro porque trabalha a recibos verdes, e que não é inédito na família dela andarem assim a pé.

Pois bem, tenho uma novidade fresquinha, eu nos anos 80 do século passado, também calcorreava a cidade de lés a lés, e mais,  o meu namorado  levava-me a casa (a pé, pasme-se!), a qual  ficava numa ponta da cidade oposta à de onde ele morava, sendo que ele tinha de voltar para casa, como perguntar-me-eis? A pé! Não tínhamos cheta para táxis, nem dinheiro para ir tirar a carta de condução, quanto mais comprar um carro, além disso trabalhávamos por ordenados de merda, não eram recibos verdes, mas a cor é idêntica se comermos bastantes legumes. 

O que me parece surpreendente é as pessoas e os "jornalistas" ficarem alucinadas com notícias de caca, enquanto o resto lhes passa completamente ao lado.

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