Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Carantonha

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Quando eu era uma miúda gostava imenso de procurar caras e carantonhas nos troncos das árvores. Continuo na mesma, tenho é menos tempo para me dedicar a esse passatempo. Adoro velhas árvores, dar-lhes abraços, refrescar-me à sua sombra, sentir nas minhas mãos os nódulos rugosos daqueles troncos resistentes a tantas intempéries. Gosto dos seus sábios silêncios e do barulho do vento que passa entre as folhas. Amo-as. Nos meus desenhos de miúda havia sempre uma árvore, com muitas folhinhas e longos ramos, o tronco era generoso e terminava com imensas raízes. Os lápis verdes eram devorados pelo meu apara lápis num instante. De seguida vinham os castanhos, depois os azuis, o vermelho,  o amarelo...


 


 


 


Alice Alfazema


 

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