
escrevo-te deste tempo ausente
com pupilas dilatadas.
escrevo-te quase só, exausto,
quase cego, quase louco.
ninguém escuta a minha voz sobre as ruínas,
o grito, a dor, nada.
há um poema que atravessa os muros,
um nó que se aperta na garganta,
um silêncio que entardece
quando todos partem.
sou, talvez, um caminhante solitário
pelas estrelas sem nome.
aquele que caminha quando todos dormem
fechando todas as portas
que o tempo não apaga.
Poema Paulo Eduardo Campos
Escrevo deste tempo em que tínhamos quase tudo para começarmos um mundo melhor. No entanto, no dia a dia a Paz não é interessante o suficiente para que haja ambição para o fazer.
Escrevo deste tempo que continua como há cem anos em que a coragem de fazer a guerra vive encavalitada na mentira, podíamos até parodiar as cinco horas de conversações entre os dois velhos ursos, qual marretas num qualquer camarote de um teatro famoso, dois velhos que se aproximam do final, caquécticos e loucos julgando-se poderosos, quem protege os loucos? deste tempo que vos escrevo, quem lhes dá o poder, quem lhes irá retirá-lo? Deste tempo que vos escrevo espero não ter muito por recordar.