Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

O fundo do mar

 


No fundo do mar há brancos pavores,
Onde as plantas são animais
E os animais são flores.


 


Mundo silencioso que não atinge
A agitação das ondas.
Abrem-se rindo conchas redondas,
Baloiça o cavalo-marinho.
Um polvo avança
No desalinho
Dos seus mil braços,
Uma flor dança,
Sem ruído vibram os espaços.


 


Sobre a areia o tempo poisa
Leve como um lenço.


 


Mas por mais bela que seja cada coisa
Tem um monstro em si suspenso.




 


Sophia de Mello Breyner Andresen




 








Alice Alfazema

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