
No princípio de janeiro deste ano fui ver o Lago dos Cisnes ao Coliseu dos Recreios em Lisboa, há muito que tínhamos comprado os bilhetes (a meu pedido), para assistirmos ao espectáculo tivemos de fazer um teste à covid, pela primeira vez em muitos meses fomos jantar em família a um restaurante, havia no ar uma alegria silenciosa, muita gente, mas pouco barulho, sussurros por detrás da máscara, os olhos em sorriso em sintonia com o momento.
Gostei imenso do bailado, no entanto, pensei que o palco era demasiado pequeno para que os bailarinos se manifestassem plenamente, fiquei fascinada com as cores vivas dos fatos e a leveza aparente dos tecidos. Senti-me a mergulhar num sonho que alguém pensou e depois executou. Imaginei as horas de ensaios até à perfeição. A resiliência exercida sobre os músculos, as dores, a mente.
O tempo passou num ápice, entre palmas e silêncios do público, no palco as sapatilhas davam azo a saltos de gazela fugidia, a música fazia a voz locutora, na linguagem universal dos acordes ecoava pela plateia, levando sem palavras nem vozes a compreensão do tema.

