Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Portugal o reino maravilhoso do faz de conta

A falta de árvores e o mapa verde de Portugal

Temos agora, em consulta pública, o que o governo chamou de mapa verde do território nacional para expansão das energias renováveis, diz-se assim que o mesmo corresponde à diretiva das energias renováveis (RED III), que obriga os Estados membros  a designar locais de baixa sensibilidade ambiental e patrimonial, quer-se então que a instalação de projetos eólicos e solares beneficie de licenciamento simplificado, com o prazo máximo de 12 meses.

Como podemos ver e ouvir, sem grande dificuldade, e para quem se interessa pelo assunto, e enquanto assistimos ao Mundial de Futebol, é a manifestações realizadas pelas populações dando conta de serem manifestamente contra a instalação, vulgo plantações destes campos de vidro, dos quais os nossos descendentes herdarão todos os resíduos, a degradação dos solos e consequentemente o aumento da temperatura, pois a cavalo do Interesse Nacional abateu-se e continuar-se-á a abater milhares de árvores. Escalpam-se serras, aplainam-se os montes de modo a acomodar esta nova energia, apregoando-se aos sete ventos que é verde! 

Há nisto tudo um misto de descontração institucional em destruir a biodiversidade existente, e a qual é também de interesse público, em deturpar o que é benéfico ou não para as populações, de forma a intuir que isto é muito bom.

Depois existem, ainda, por desvendar, as coincidências entre incêndios e locais onde se erguem os campos de fotovoltaicas e também a prospecção de lítio.

Não vivemos só uma fase de escravidão administrativa, perdão, queria dizer servidão administrativa, em prol de empresas estrangeiras, com estudos bastante duvidosos e que recebem milhões de euros à borla (atenção que isto não é considerado subsidio - subsidio é para pobres), por parte do Estado, tal como acontece com a empresa Savannah Resources que continua a entrar nas terras das gentes do Barroso, em Boticas, e que mesmo com uma providência cautelar decidida pelo Tribunal Administrativo de Mirandela em junho passado, a exploração de lítio do Barroso pode agora ser retomada após suspensão de 20 dias em Boticas, suspensos após a providência cautelar, depois de o Ministério do Ambiente apresentar uma Resolução Fundamentada que reafirma o interesse público do projeto. Vemos assim que o Estado se sobrepõe ao Tribunal, será ou não isto inconstitucional? 
Afinal o que é o interesse público? 

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