A Maria Albertina morava num bairro sossegado, tinha cortinados de renda nas janelas de sua casa. À noite quando escurecia espreitava cá para fora, com as luzes acesas todos lhe viam o recorte da sua silhueta, todos sabiam que estava ali, menos ela. Ela continuava a pensar que estava só, que a sua solidão era uma coisa privada. Até que um dia alguém lhe fez adeus. Recuou e sentiu que tinha sido vista. Voltou a olhar, e viu que a pessoa ainda estava lá, abriu a janela e fez-lhe adeus. Sentiu-se aliviada por tornar a sua solidão uma coisa pública.
Uma pergunta por dia até ao final do ano, quem quiser responder esteja à vontade.
Alice Alfazema