Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

A minha casa redonda


 


Ilustração  Giuseppe Sticchi


 


Se a minha casa fosse redonda não teria de limpar os cantos, nem de me preocupar em endireitar os cortinados. Subiria cada degrau como se fosse o primeiro, até chegar ao último. As mesas seriam redondas sem bicos nem esquinas. Um começo de ciclos sem fim, sempre a rodar e a rodopiar. Os dias seriam redondos e não compridos.  As noites redondas  e arejadas dadas à imaginação. Nada de esquinas em cada parede, tudo arredondado e macio, sem cortar a sensação de continuação.


 

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