Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

A partir de que idade nos damos conta de que já não somos quem éramos?


 


Ilustração  Otar Imerlishvili


 


Haverá alguma idade em que nos damos conta de já não somos os mesmos? Serão as desilusões que nos apressam para esse estado de consciência, ou será então retardada essa descoberta pela vivências de acções felizes. A imagem reflectida pelo espelho terá alguma influência nessa descoberta de que um outro ser vive dentro daquele corpo que conhecemos há tantos anos? A vida é uma viagem sem regresso, viajas com tanta gente dentro de ti que tens dificuldade em te reconhecer, és um pedaço de ti e dos outros, contaminaste com ecos e coisas das quais detestavas. Fazes escolhas boas e más. És agora um outro, mas queres voltar a ser o mesmo. Não é possível, tal como um rio, tu és um outro a cada segundo. A isso se chama aventura.


 


Alice Alfazema


 


 

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