Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Arrebol

dádiva.jpg Ilustração Karl Jóhann 


 


Deram-me um saco cheio de laranjas e clementinas pequenininhas, quando chegaram cá em casa ainda continham nelas as bagas gordas de chuva que caíram durante a noite, num ápice devorei uma clementina minúscula, o sabor agridoce escorreu devagar pela garganta. No fim engoli um sol.


 


Perfumada laranjeira,


Linda assim dessa maneira,


Sorrindo à luz do arrebol,


Toda em flores, branca toda


– Parece a noiva do Sol


Preparada para a boda.


E esposa do Sol, que a adora,


Com que cuidados divinos


Curva ela os ramos, agora!


E entre as folhas abrigados,


Seus filhos, frutos dourados,


Parecem sois pequeninos.


 


Poema de Júlia Lopes de Almeida


 

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