
Assim de repente, ver estas imagens remete-me para um qualquer armazém lá nos confins da China ou da Índia, ou noutro país que vos apeteça estabelecer a ponte.
Mas não, é aqui, na Europa, e pasme-se ou não, são os exames nacionais que estão para digitalizar e posteriormente serão classificados pelos professores através de meios digitais, ou seja o progresso, antes de ser progresso tem de voltar ao mais básico, ao chão, à prateleira, tal qual o armazém da fruta, se bem que já vi armazéns melhor apetrechados, quer em termos de equipamentos de proteção coletiva e individual, para utilização dos seus trabalhadores, aqui parece-me que é tudo carregado a pulso, em pé, no chão, e talvez sem climatização nestes dias de canícula.
Não se percebe bem quem é a empresa responsável pela gestão da digitalização dos exames nacionais, e não há por parte dos responsáveis do governo vontade de introduzir este dado, mas no entanto sabe-se que o trabalho é bem pago: Processo de digitalização de exames do básico e secundário custou mais de sete milhões de euros em três anos. O Instituto de Avaliação Educativa (Iave) assinou há um ano um contrato de quase 1,5 milhões de euros com a empresa Axianseu II Digital Consulting SA, especialista em "transição digital", para que fosse desenvolvida uma Plataforma de Gestão do Processo de Aplicação das Provas de Avaliação Externa do Ensino Básico e Secundário, chamada GAEBS.

Com tanto milhão, porque tanto exame no chão? nem cadeiras, nem bancadas, papelinhos colados, lembrando listinhas dos tempos áureos do anterior milénio, trouxeram tudo em malas de cartão, tal como a Linda de Suza, se não souberem quem é procurem, utilizem a IA, a mãe de toda a sabedoria que é colocada na net.
Não sei qual é a segurança em relação a quem tem acesso a isto, parece-me estar tudo à mão de semear.

Sinto bastante dificuldade em reconhecer que isto é progresso, não vejo aqui nada de inovador, uma coisa bem pensada, bem planeada, já que houve tanto dinheiro em jogo.
Isto agora passou a ser assim, tanto se diz, que acaba por ser verdade, e mesmo que tudo esteja mal feito e o processo não seja transparente, passa a ser, porque se inventa uma treta qualquer que o justifique, e as pessoas aceitam mansamente, não se querem chatear, há mais que fazer.
Eu para mim, já o disse algures neste blogue, só que na altura referia-me que íamos a caminho, agora tenho a certeza que estamos a viver a Idade Média dos tempos modernos, com a agravante de nos estarmos a tornar, globalmente, mais estúpidos e inertes, com uma diminuição brutal de pensamento critico.
E com tanta coisa que se omite por parte deste governo, e quer a percepção dos valores transmitidos por parte dos seus ministros e primeiro ministro tenho sérias dúvidas que isto realmente seja uma democracia.
Fotos de Tiago Petinga - LUSA. Nas fotografias vemos os trabalhadores que organizam os exames no local onde são guardados, digitalizados e distribuídos, localizado num pavilhão em Sintra.