Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

As minhas flores


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Eu não tenho jardim, mas tenho bosques, vales, planícies e serras, onde colho as minhas flores, colho-as com a objectiva, este ano redescobri o prazer de observar as flores silvestres, sentindo uma alegria quase infantil por ver uma diversidade tão grande de pormenores que nos são alheios na pressa do dia a dia. Há algo comum a todas elas - Liberdade.


 



Espírito das danças, espírito das estrelas,

espírito das crianças, espírito das velas,

espírito que te escondes nos risos e nas tranças,

nas músicas mais intensas e mais belas,

ó espírito que persistes, não desistes, e não cansas

de transformar esquecimentos em lembranças,

de trocar, por amor, desconfianças

e de pintar essas mudanças

com doces e brilhantes aguarelas,

espírito do mar, espírito do ar, das coisas mais singelas,

leva-me contigo ao país da noite, quando avanças

por entre estrelas apagadas, sem esperanças,

que eu gostaria tanto, mas tanto!, de acendê-las.

 

 

Poema de Joaquim Pessoa

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