Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Cabelos ao vento

Não sou nem nem lembro ter sido aquele tipo de indivíduo a quem perspectiva  da morte (própria) amedronte. Hoje, na volta ciclística, alguns dos que por mim passavam apontavam para a cabeça. Admoestação. Não levei capacete. Muitas vezes não levo. Mais cedo ou mais tarde, um dia morrerei, não há capacete que me salve disso. Se morrer mais cedo, dado que não pratico golf nem invisto na bolsa, e sou assalariado, deixo de ser um peso prá economia. Enquanto vivo, e porque já vou nos cinquenta e cinco, de vez em quando apetece-me apanhar vento no cabelo. Não sei (o cabelo) quanto durará, é aproveitar.


 


Do blogue, Âncoras e Nefelibatas


 


 


Alice Alfazema

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