Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Critérios valorativos

 


O Tejo é  mais belo que o rio que corre na minha aldeia,


Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia


Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.


 


O Tejo tem grandes navios


E navega nele ainda,


Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,


A memória das naus.


 


O Tejo desce de Espanha


E o Tejo entra no mar em Portugal.


Toda a gente sabe isso.


 


Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia


E para onde ele vai


E donde ele vem.


 


E por isso porque pertence a menos gente,


É mais livre e maior o rio da minha aldeia.


Pelo Tejo vai-se para o Mundo.


 


Para além do Tejo há a América


E a fortuna daqueles que a encontram.


Ninguém nunca pensou do que há para além


Do rio da minha aldeia.


 


O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.


Quem está ao pé dele está só ao pé dele.


 


 


Alberto Caeiro

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