Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Despejo = des-con-ti-nu-i-da-de

Está uma manhã de inverno, como outra qualquer, frio e sol, o chão está molhado da orvalhada da noite, tenho os vidros das janelas embaciados, tal como o que sinto agora ao escrever, entre estas palavras comi o pequeno almoço e o cão ladrou, vou tirar um café para acalentar a mente.

Apetece-me escrever aqui, em resposta à nova morada, sinto-me despejada à força de uma casa que pensei, erradamente, poder morar até conseguir, é como se estivesse à varanda, recolhendo os últimos olhares daqueles que passam, antes de fechar a porta e devolver a chave. Sinto-me escorraçada, e neste momento não consigo agradecer ao senhorio, pelo tecto e pela oportunidade, porque estou triste e nostálgica de todos os momentos em que vivi aqui. 

 

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