Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Dia do Elefante

elefante.jpg


Fotografia Daisy Gilardini


 


Um grupo de homens cegos ouviu que um animal estranho, chamado de elefante, havia sido trazido para a cidade, mas nenhum deles conhecia sua forma. Então eles disseram: “Podemos conhecê-lo pelo toque, pois disso somos muito capazes.”


Quando eles encontraram o elefante, começaram a tatear e discutir entre si. Cada homem tocou numa parte e, confiante de sua habilidade, discordava dos demais. Eles não percebiam que estavam tateando um animal enorme. 


O primeiro homem, cuja mão pousou na tromba, disse:


— Este animal é como uma cobra grossa!


Outro cuja mão alcançou sua orelha, discordou:


— Este animal é como um leque!


O outro homem, cuja mão estava sobre a perna, riu dos demais e disse:


— O elefante é como um tronco de árvore!


O cego que colocou a mão na barriga do animal falou:


— O elefante é um muro!


Outro que sentiu o rabo do animal disse:


— O elefante é como uma corda!


O último, já irritado, sentia a presa do elefante e afirmava em tom de sabedoria:


— O elefante é como uma lança!


E assim os homens se comportam diante da verdade: tocam apenas uma parte e acreditam conhecer o todo. E por isso continuam tolos.


 


Conto budista.

0