
Ilustração Marta Kiss
bem, pensamos que depois de lavar os pratos
estender os panos
e penetrar o silêncio
já não haveria muito a se fazer
mas há sempre um jeito de perfurar a casca das coisas
há sempre olho para se encontrar um novo vestígio
e corpo para despejar resíduos
exigindo dedicação
portanto não nos faltará trabalho
talvez só vontade
de devolver vida às coisas cansadas
de conviver com o imperfeito relevo do tempo &
seus mecanismos de erosão
podemos caçar palavras na praça ou
aprender a empalhar pássaros
mas como superar as entranhas
escorrendo pelas nossas mãos?
Poema de Fernanda Morse