
Foto colhida aqui: Marco Alfha Fotografie
A rapariga está sentada na cadeira de plástico branca, na sombra de um enorme pinheiro, por trás a casa, já velha, mas ainda, pintada de branco. O sítio fica num pequeno cruzamento, de uma estrada movimentada, do outro lado da estrada, duas outras mulheres andam de um lado para outro. Agarram nas malas que trazem ao ombro e seguram-se nelas como se fossem as suas saídas de salvação.
A rapariga do outro lado da estrada está vestida de cor de rosa. Afundada na cadeira, com o telemóvel no colo, está dispersa nas mensagens que manda e recebe. Pergunto-me, de que falarão? Tem o cabelo loiro, muito claro, e parece-me estrangeira, talvez do leste. Tem um especto muito novo - penso - que situação lhe terá levado até ali? A ela e às outras duas mulheres que estão do outro lado da estrada.
Não são as primeiras mulheres que vejo a prostituírem-se, mas aquele ar descontraído de adolescente faz-me pensar em que situações terá esta rapariga de se submeter e se merecerá a pena o sacrifício da sua juventude.
Olhando o outro lado da estrada poder-se-á olhar o seu futuro, e o declínio da sua beleza, dos seus sonhos de menina. As pessoas passam alheias, talvez, olham para o lado, haverá dizeres e mal dizeres, compreensão e incompreensão. Os clientes podem parar a qualquer momento, o chulo também. Na estrada o transito continua, a vida também, o pinheiro continua testemunha e a casa já velha palco de cenas que a sociedade desconhece.
Alice Alfazema