Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Muitas casas arderam nos incêndios

O fogo é desde tempos memoráveis algo que pode ser fascinante, devastador e confortante, foi pela descoberta do fogo que conseguimos sobreviver aos invernos mais frios, é com o fogo que se conseguem as pastagens mais nutritivas, é no fogo que começamos a cozinhar os pratos mais elaborados, mas é também pelo fogo que destruímos cada vez mais este planeta azul.  

O fogo devora a floresta, como se fosse uma mera caixa de palitos ressequidos, todos já sabemos que as temperaturas estão a aumentar de ano para ano, e que os fenómenos extremos são cada vez menos espaçados, as ondas de calor fazem agora parte do nosso dia a dia, é quase banal ouvirmos falar sobre altas temperaturas, contudo a importância que se dá a isso vai no sentido inverso daquilo que deveria ser a prioridade.

 

Por todo o lado, em Portugal, vemos crescer plantações de fotovoltaicas, como se fossem pãezinhos quentes a saírem do forno, uma grande parte nasce após incêndios, coincidência ou não, o incêndio reduz em muito o custo da limpeza do terreno, a questão da biodiversidade, de entre outros entraves à sua implementação, para não falarmos nas negociatas de alugueres de aviões, claro que tudo isto nunca é comprovado, existem demasiados interesses em jogo e uma tremenda falta de coragem para que se investigue isto de forma séria.

A comunicação social, refere-se duma forma prática, nas suas reportagens informativas, quando o incêndio incide numa zona verde e onde não há casas - como zona de mato - assim é frequente ouvirmos dizer: ardeu apenas zona de mato, dizem isto de um modo que dá a entender que é coisa pouca, que não foram atingidas casas, nem vidas humanas, existe então uma depreciação daquilo que é o meio ambiente e o que isso significa no quotidiano e no futuro.

Ainda não vi uma única reportagem em que se fale sobre a perda da flora ou da fauna existentes. Ou que reconheçam que foram perdidas determinado número de arvores. É consequentemente duma negligência  absurda vermos apenas como importante a quantidade de fumo, o tamanho da chama, e a quantidade de dias que leva a arder, quase querendo que tudo isto se mantenha, para que a notícia continue a dar audiência. É gritante a desinformação prestada.  

À medida que o tempo passa, e a temperatura aumenta, e o fogo vai tomando terreno, e destruindo casas, é preciso que não se esqueçam que ali na zona de mato mora gente, quantas vidas se perdem sem que se faça caso disso, quantas árvores perdidas, quantos animais queimados, quantos feridos, quantos?

Vivemos num tempo, em que o conhecimento deveria ser a meta, mas não, parece que a estupidez tomou conta disto tudo, tal como o fogo ela devora aquilo que poderíamos ter de melhor, ou seja, a coragem de utilizar a inteligência a favor de um mundo em sintonia com a Natureza. 

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