Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

O pintor da solidão


Pintura Edward Hopper


 


 


Era uma solidão que outrora se levava nos dedos,


como a chave do silencio. Uma solidão de infância


sobre a qual se podia brincar,


como sobre um tapete.


Uma solidão que se podia ouvir, como quem olha para as arvores,


onde há vento.


Uma solidão que se podia ver, provar, sentir,


pensar, sofrer, amar,    


uma solidão como um corpo, fechado sobre a noção que temos de nós:


como a noção que temos de nós.


 


Cecília Meireles 


 


Alice Alfazema

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