Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Opostos

 


 


- Estás a ver o raio de luz? - perguntou-me.


- Sim, claro que estou.


- Porquê?


- Porque tens a lanterna acesa - respondi obviamente, sem perceber onde ele queria chegar.


- Agora, abre a persiana.


Assim fiz.


- E agora? - perguntou, apontando a lanterna para a janela, por onde entrava, em pleno, a luz do sol do meio-dia.


- E agora o quê? - repeti.


- Agora, a lanterna está acesa ou não?


- Não sei.


- Como? Não vês a luz?


- Não, agora não.


- Sabes porquê?


- Por causa do sol... - comecei a tentar explicar.


- Não consegues vê-la porque, para te aperceberes da luz, precisas da escuridão. Estás a ver? As coisas só são quando existe o seu oposto. E isso acontece com a luz e a escuridão, com o dia e a noite, o masculino e o feminino, a força e a fraqueza...


 


Todas as nossas qualidades, condições, virtudes e defeitos, estão dentro de nós, ligados aos seus respectivos opostos. A nossa bondade, inteligência e coragem coexistem sempre com a nossa maldade, estupidez e cobardia.


 


 


Jorge Bucay, Deixa-me Que Te conte


 


 


 


 

 

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