Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Pedacinhos

O poder de transformar, de criar, de usar a imaginação é surpreendente, o que podemos fazer com pedaços de coisas inúteis?  


 



 


As vozes que se levantam


quando a negra Zita passa,


a mulheres desta massa


são piropos que se cantam


 


Essa crioula danada


tem a pele bronzeada


e o dom da sedução


 



 


Na anca ginga uma morna,


na voz uma coladeira


Sob os pés sempre descalços,


há todo um mar de sargaços,


dunas de sal e areia


 


Da vida nunca se queixa


De seu, nunca teve nada,


a não ser a formosura


e a cor da sua raça.


 


 


Poema de Fernanda Esteves, retirado do livro, Ao Desamparinho da Tarde


 


 


As magnificas ilustrações são de Charis Tsevis.


 


 


Alice Alfazema

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