Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Se este fosse o teu último dia de vida, o que escolherias fazer?


 


Ilustração  Elicia Edijanto


 


 



Antes o voo da ave, que passa e não deixa rasto,
Que a passagem do animal, que fica lembrada no chão.
A ave passa e esquece, e assim deve ser.
O animal, onde já não está e por isso de nada serve,
Mostra que já esteve, o que não serve para nada.
A recordação é uma traição à Natureza,
Porque a Natureza de ontem não é Natureza.
O que foi não é nada, e lembrar é não ver.
Passa, ave, passa, e ensina-me a passar!


 



Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XLIII"


 


 


 


Alice Alfazema


 

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