Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

sementes abertas ao vento





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A verdadeira mão que o poeta estende

não tem dedos:

é um gesto que se perde

no próprio acto de dar-se



O poeta desaparece

na verdade da sua ausência

dissolve-se no biombo da escrita



O poema é

a única

a verdadeira mão que o poeta estende



E quando o poema é bom

não te aperta a mão:

aperta-te a garganta



 

Poema de Ana Hatherly

 

 




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Peço a paz

e o silêncio



A paz dos frutos

e a música

de suas sementes

abertas ao vento



Peço a paz

e meus pulsos traçam na chuva

um rosto e um pão



Peço a paz

silenciosamente

a paz a madrugada em cada ovo aberto

aos passos leves da morte



A paz peço

a paz apenas

o repouso da luta no barro das mãos

uma língua sensível ao sabor do vinho

a paz clara

a paz quotidiana

dos actos que nos cobrem

de lama e sol



Peço a paz e o

silêncio

 

 



Poema de Casimiro de Brito

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