Em meados deste ano passou uma reportagem, num canal de televisão português, em que o tema era o prestígio de um vinho português e o orgulho na medalha alcançada. As imagens das vinhas verdejantes foram mostradas com pormenor. Os copos com o vinho cintilavam ao Sol, com a paisagem verde de fundo. A adega. A casa senhorial. O empresário falava de uma forma apaixonada sobre a sua quinta, sobre o seu vinho, sobre a medalha alcançada. As imagens iam passando, mostrando quem cuidava das vinhas, da terra. O repórter interroga a mulher e o homem que trabalham na quinta e pergunta-lhes o que fazem naquele espaço, e também se estão orgulhosos da medalha que o vinho ganhou. Ao que eles respondem: ganhamos uma medalha? Não sei de nada. É nestes pormenores que podemos ver o valor que o nosso tecido empresarial dá aos seus trabalhadores.
O nosso tecido empresarial assemelha-se a um belo vestido cheio de traças.
Alice Alfazema