
Peguei nas tábuas que tinha apanhado no entulho daquela casa vazia. Fui buscar os pregos que estavam escondidos no armário da cozinha. Pedi emprestado ao tio João o martelo e pus mãos à obra. Fiz um desenho no chão, as rodas, o volante...Preguei aqueles pregos com toda a minha força. A minha energia ficou naquelas tábuas. Alguns ficaram tortos, não faz mal. Pintei as rodas de preto e branco. Deixei secar. Já falta pouco para a poder experimentar. Está linda. Vou descansar um pouquinho à sombra e beber água.
Já está seca a tinta. Montei a minha bicicleta e fiz dela meu cavalo de sonhos. Andei ladeira abaixo, senti asas crescerem nas minhas costas e abri os braços. O vento passou pela minha cara e senti o meu coração bater mais depressa, tão depressa como os corações dos passarinhos. Lá em baixo estavam os meus amigos. mostrei-lhes a minha bicicleta, todos me elogiaram, alguns deram-me abraços e eu deixei eles darem uma voltinha, mas só uma, porque eu queria voar de novo. Mas esse é um segredo só meu.
Fotografia Vozes de Nós
Uma pergunta por dia até ao final do ano, quem quiser responder esteja à vontade.
Alice Alfazema