
Há momentos em que me sinto livre, são momentos fugazes em que o meu cérebro me leva aonde fisicamente é impossível estar neste tempo agrilhoado na situação pandémica.
Um dia, gastos, voltaremos
A viver livres como os animais
E mesmo tão cansados floriremos
Irmãos vivos do mar e dos pinhais.
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O vento levará os mil cansaços
Dos gestos agitados irreais
E há de voltar aos nossos membros lassos
A leve rapidez dos animais.
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Só então poderemos caminhar
Através do mistério que se embala
No verde dos pinhais na voz do mar
E em nós germinará a sua fala.
Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen, in Dia do Mar