Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Viver livres


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Há momentos em que me sinto livre, são momentos fugazes em que o meu cérebro me leva aonde fisicamente é impossível estar neste tempo agrilhoado na situação pandémica.  



 

Um dia, gastos, voltaremos

A viver livres como os animais

E mesmo tão cansados floriremos

Irmãos vivos do mar e dos pinhais.

.

O vento levará os mil cansaços

Dos gestos agitados irreais

E há de voltar aos nossos membros lassos

A leve rapidez dos animais.

.

Só então poderemos caminhar

Através do mistério que se embala

No verde dos pinhais na voz do mar

E em nós germinará a sua fala.

 

 

Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen, in Dia do Mar

 

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