Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

50 anos de Abril

 


 


Vieste Celeste, assim na aragem


Tal como um astro, astro iluminado


E a tua passagem fosse ela já escrita


Por alguém que dita, com divina mão


25 de Abril - Alice Alfazema


De passo apressado, com os cravos nos braços


Os olhos no largo, o olhar fitado


Fizeste dos cravos o símbolo maior


O símbolo sagrado


25 de Abril - Alice Alfazema


De cravos ao colo, vai tão intrigada


De olhos pasmados, olhando os soldados


De tanques na rua, enchendo a cidade,


Enchendo a cidade que te pertencia


25 de Abril - Alice Alfazema


Quiseste saber o que ali faziam


O que ali faziam de armas parados


E ao responderem armaste-os de cravos


Fizeste poesia


25 de Abril - Alice Alfazema


Vem do firmamento por obra divina


Celeste ladina de cravos aos molhos


Que a guerra dos homens também se ajardina


Para ser menos negra à luz dos seus olhos


25 de Abril - Alice Alfazema


E foram espalhando, assim os teus cravos


Assim os teus cravos, fuzil em fuzil


Num gesto que foi assim replicado


Assim replicado por toda a cidade


25 de Abril - Alice Alfazema


Adultos crianças, homens e mulheres


Já em liberdade, já em liberdade


Espalhando fragrâncias e a rubra cor


A rubra cor dos cravos de Abril


25 de Abril - Alice Alfazema


E vão se espalhando, assim os teus cravos


Assim os teus cravos, de Abril em Abril


Num gesto que é assim celebrado


Assim celebrado por todo o país


25 de Abril - Alice Alfazema


Adultos crianças, homens e mulheres


Homens e mulheres, soldados, civis


Espalhando fragrâncias e a rubra cor


E a rubra cor dos teus cravos de Abril


25 de Abril - Alice Alfazema


Foi do firmamento, por obra divina


Celeste ladina, dos cravos aos molhos


Que todo o Abril ainda ilumina


Para espantar o negro que nos surja aos olhos


25 de Abril - Alice Alfazema


Rogério Oliveira-voz


Marco Ferreira-piano


Isa Peixinho-flauta transversal


Letra e Música de Rogério Oliveira


Arranjo e direção musical de Marco Ferreira


Produção de José Salgueiro Álbum “Génese” Boémia 2023 


 

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