Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Caminhadas

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Por estradas de montanha
vou: os três burricos que sou.
Será que alguém me acompanha?


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Também não sei se é uma ida
ao inverso: se regresso.
Muito é o nada nesta vida.


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E, dos três, que eram eu mesmo
ora pois, morreram dois;
fiquei só, andando a esmo.


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Mortos, mas, vindo comigo
a pesar. E carregar
a ambos é o meu castigo?


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Pois a estrada por onde eu ia
findou. Agora, onde estou?


Já cheguei, e não sabia?


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Três vêzes terei chegado
eu – o só, que não morreu
e um morto eu de cada lado.


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Sendo bem isso, ou então
será: morto o que vivo está.
E os vivos, que longe vão?


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Poema de Guimarães Rosa


Caminhada pelo Parque Natural da Arrábida

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