Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

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Estou e não estou em lado nenhum

passaram tantos anos e foi tão rápido

ainda ontem estava na fronteira

como encontrar agora aqueles que se perderam

numa curva qualquer de caminhos desconhecidos?

 



O pica pau frenético no cipreste

a tia a tricotar: «Não comas mais ameixas.»

Mas eu comia até que Ofélia viesse

beber o sumo do Verão na minha boca.

Mas isso foi se não me engano em Elsenor

agora estou na Praça João do Rio

atravessei tantas fronteiras

Príncipe Valente fui à guerra

às tantas Aleta desapareceu

se voltasse do campo de batalha

ninguém no belveder.

 

Ma

MANUEL ALEGRE, in QUANDO (D. Quixote, nov 2020)

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