Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Desígnios


Já aqui disse que gosto de dias de tempestade, gosto de apreciar a Natureza na sua suprema vontade, a ideia de que somos apenas marionetas neste universo manifesta-se no pouco que valemos na sua vontade. O facto de não respeitarmos  - e de ainda não admitirmos - que vivemos em cima de um sistema muito inteligente e que por ele somos controlados, faz-nos ainda mais vulneráveis aos seus desígnios.


 


– Menino, vem para dentro,
olha a chuva lá na serra,
olha como vem o vento!


– Ah, como a chuva é bonita
e como o vento é valente!


– Não sejas doido, menino,
esse vento te carrega,
essa chuva te derrete!


– Eu não sou feito de açúcar
para derreter na chuva.
Eu tenho força nas pernas
para lutar contra o vento!


E enquanto o vento soprava
e enquanto a chuva caía,
que nem um pinto molhado,
teimoso como ele só:


– Gosto de chuva com vento,
gosto de vento com chuva!


 


Poema de Henriqueta Lisboa


 


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