"E se fosse eu? Todos responderam o que levariam nas respectivas mochilas. Até aqui, tudo bem. Mas, depois, perguntei: E se fosse eu a receber um refugiado em minha casa? E, aí, as respostas prontas converteram-se em silêncio. Um silêncio incómodo. Olhavam-se entre eles. Mostravam surpresa. Nenhum deles me deu uma resposta. Nada. Só admiração, espanto. Perguntei se dividiriam o quarto deles com um refugiado da idade deles. A maior parte disse que não. E foram bastante incisivos no não. Todos souberam fazer uma mochila, num instante, se fossem eles. Mas receberem alguém com uma mochila em casa: não é assim tão fácil."
Lido através daqui, e escrito primeiramente aqui.
E lembrei-me ao ler isto, que quando passo pelos meninos, quando eles estão a almoçar, e lhes pergunto se me dão um bocadinho, prontamente me respondem que não. Primeiro pensei que muitos estavam na brincadeira, e pergunto uma segunda vez, fazem ares de ofendidos, não são capazes de partilhar, a não ser que tenham contrapartidas. Há muito que não faço perguntas destas, a futilidade faz-me alergia.
Alice Alfazema