Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Expresso

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Fotografia David Dores 


Estava eu a percorrer a internet, quando me deparei com esta fotografia do David Dores, a fotografia diz respeito ao ferryboat Expresso que atravessava o Sado de Setúbal até Troia, foram tantas as vezes que naveguei nele directa a longos dias de praia e namoro, durante quase toda a travessia éramos brindados com roazes que acompanhavam o barco, uma feliz normalidade para a época (que nunca pensei deixar de existir), os mais velhos viajavam com as crianças na zona mais abrigada localizada onde se vêem as janelas, os mais afoitos iam lá bem no alto, quase ao leme, o barco carregado à pinha, de gente e de carros, era chegar e largar, o homem do leme manobrava com mestria, na chegada ao batelão, os homens lançavam os cabos para atracar o barco, só depois descia a pesada chapa que servia de rampa de entrada e saída. Pelo meio da viagem tínhamos deitado ao rio as carcaças que não tínhamos comido durante o dia, as gaivotas sempre atentas comiam-nas ainda no ar, confesso que levava sempre pão a mais, e mesmo que não levasse deixava sempre alguma só para me deleitar com o espectáculo das gaivotas acompanhando o barco - tendo como pano de fundo a água azul do Sado, a Serra da Arrábida fundindo-se com o pôr do Sol e o despertar das luzes da cidade de Setúbal.


 


Sobre o fotógrafo David Dores (retirado do jornal O Setubalense, 11/02/2020):


David nunca deixou que o diagnóstico de epilepsia e as terapêuticas pelas quais passou na infância e adolescência limitassem o seu caminho. “No papel está 66% de incapacidade. Deficiência Mental. Confesso. Detesto essas palavras. Eu não sou ‘uma deficiência’ sou o David”, defende assumindo que muitas vezes luta para não se revoltar com “a etiqueta”, que tantas vezes lhe limitou o caminho.


Para saberem mais visitem a página https://www.daviddoresphotography.com/ 


 

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