Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Faro, Abril de 2019 - Em Portugal não se respeitam as árvores

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Fotografia Amélia Santos, ver mais aqui.


 


Um pouco por todo o país, nas mais diversas cidades e vilas, vêem-se estas podas radicais em árvores de grande porte, não se compreende como são autorizadas. É como se as árvores fossem um inimigo a abater. Quem vive numa zona urbana não tem o direito de usufruir deste património natural, no entanto descontamos bastante para o poder local, para que existam espaços verdes, e espaços verdes não são apenas arbustos, umas florzinhas aqui e ali, que se mudam de vez em quando para dizer que se vai fazendo alguma coisa. 


 


Quem autoriza isto, não tem o mínimo de respeito pela natureza, nem de quem habita nela, porque raspar uma árvore implica, cortar ninhos, cortar toda a vida que existe nela. 


 


É horroroso pensarmos na cidade vista desta forma, desformatada na sua altivez e no seu equilíbrio entre o meio ambiente e as pessoas. Parece que houve uma catástrofe natural, quando o que houve foi simplesmente uma moto-serra e alguém empoleirado num daqueles elevadores portáteis a raspar todo o tronco sem perceber nada daquilo que está a fazer. Vão-se os ninhos, os ramos para os pássaros poisarem, vão-se os polinizadores, vai-se tudo, fica apenas o tronco, numa amputação permitida pelos senhores autarcas que tanto apregoam mundos e fundos nas campanhas eleitorais. 


 


Muitas destas podas são feitas na primavera o que torna a coisa mais arrepiante é o holocausto de vários jardins e avenidas, da sombra fresca no verão, do canto dos pássaros ao final da tarde e no começo da manhã, é a vida que é preterida pelos interesses mais básicos das economias pensadas a curto prazo.


 


Cada árvore é um monumento vivo, não sei como isto tudo passa impune no nosso dia a dia. Nem sei como as poderemos defender...


 


Em Portugal não se respeitam as árvores!


 


 


 


 


 

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