Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

O estranho pensamento

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Ilustração Osvaldo Herrera Graham


 


Aos 3 anos:
Ela olha para si mesma e vê uma rainha.


Aos 8 anos:
Ela olha para si e vê a Cinderela.


Aos 15 anos:
Ela olha e vê uma freira horrorosa.


Aos 20 anos:
Ela olha e se vê muito gorda, muito magra, muito alta, muito baixa, muito liso, muito encaracolado, decide sair mas, vai sofrendo.


Aos 30 anos:
Ela olha para si mesma e vê muito gorda, muito magra, muito alta, muito baixa, muito liso muito encaracolado, mas decide que agora não tem tempo para consertar então vai sair assim mesmo.


Aos 40 anos:
Ela se olha e se vê muito gorda, muito magra, muito alta, muito baixa, muito liso, muito encaracolado, mas diz: pelo menos eu sou uma boa pessoa e sai mesmo assim.


Aos 50 anos:
Ela olha para si mesma e se vê como é. Sai e vai para onde ela bem entender.


Aos 60 anos:
Ela se olha e lembra de todas as pessoas que não podem mais se olhar no espelho. Sai de casa e conquista o mundo.


 


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Aos 70 anos:
Ela olha para si e vê sabedoria, risos, habilidades, sai para o mundo e aproveita a vida.


Aos 80 anos:
Ela não se incomoda mais em se olhar. Põe simplesmente um chapéu violeta e vai se divertir com o mundo.


Talvez devêssemos por aquele chapéu violeta mais cedo!


 


 


Texto de Erma Bombeck

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