Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

O Pássaro da Cabeça

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Ilustração Ira Khvan


 


Sou o pássaro que canta
dentro da tua cabeça,
que canta na tua garganta,
que canta onde lhe apeteça.



Sou o pássaro que voa
dentro do teu coração
e do de qualquer pessoa
(mesmo as que julgas que não).


Sou o pássaro da imaginação
que voa até na prisão
e canta por tudo e por nada
mesmo com a boca fechada.


E esta é a canção sem razão
que não serve para mais nada
senão para ser cantada
quando os amigos se vão


e ficas de novo sozinho
na solidão que começa
apenas com o passarinho
dentro da tua cabeça.


 


 


Poema de Manuel António Pina, in O Pássaro da Cabeça


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