Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

O tempo acaba o ano, o mês e a hora


O tempo acaba o ano, o mês e a hora,


A força, a arte, a manha, a fortaleza;


O tempo acaba a fama e a riqueza,


O tempo o mesmo tempo de si chora;


 


O tempo busca e acaba o onde mora


Qualquer ingratidão, qualquer dureza;


Mas não pode acabar minha tristeza,


Enquanto não quiserdes vós, Senhora.


 


O tempo o claro dia torna escuro


E o mais ledo prazer em choro triste;


O tempo, a tempestade em grão bonança.


 


Mas de abrandar o tempo estou seguro


O peito de diamante, onde consiste


A pena e o prazer desta esperança.


 


                      Luís de Camões



 

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