Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Porque está a escola fechada?


Ilustração  Del Kathryn Barton


 


 


 


É sete e meia da manhã, já estão miúdos à porta da escola, o horário de abertura é às oito e quinze, mas a esta hora já começam a chegar crianças à escola, ficam por ali até ser hora das aulas começarem. Todos os dias vêm dois funcionários mais cedo para abrir o portão para que esta malta possa entrar para dentro do recinto escolar e assim os pais irem mais tranquilos para o trabalho, sabendo que os filhos estão em segurança. 


 


Muitos têm aulas só no período da tarde, mas chegam de manhã porque não querem estar sozinhos e porque sentem que estão melhor na escola. A escola para eles é parte da família, é lá que têm a maioria dos amigos, é ali que fazem as refeições e onde crescem e se transformam, é onde aprendem e adquirem competências que lhes vão servir para a vida. A escola para eles é como aquela rotunda que te leva a vários caminhos.


 


E que a que caminhos te deve levar a escola? Deve te levar a um lugar tranquilo e acolhedor, limpo, onde as pessoas estejam motivadas a tornar este mundo num lugar melhor, porque o futuro existe. Porque não devemos transformar o futuro num local sem esperança, sem cor, sem alegria. 


 


Como podemos fazer isso? Olhando de outra forma para o nosso dia-a-dia. 


 


Os pais levam os filhos à escola numa correria, muitas vezes desrespeitando as regras de trânsito e pondo em risco quem atravessa a estrada na ânsia de só se verem a eles, dizem-me que se a escola estiver fechada é um grande problema, que não têm onde colocar os filhos, que também trabalham, e que não  é pouco, e que aqui é que é bom não se faz nada, e quem é que vai ficar com o filho ou a filha? Ansiedade muita ansiedade, apenas isso. 


 


Nenhum me perguntou quantos funcionários somos e o que fazemos? Quais as dificuldades que temos? As pessoas apenas vêem o que querem ou o que lhes interessa. Tal como nos incêndios, apenas viam uma mancha verde, nem sabiam que árvores verdes eram essas. Aqui é o mesmo, conseguem ver umas quantas pessoas de bata, então julgam que são muitas e não se interessam por mais nada. 


 


Isto já nem é tanto um fazer greve por um salário mais alto, é mais por um cansaço extremo que leva à rotura psicológica e física. 


 


 


 


Alice Alfazema


 


 



 


 

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