Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

somos nós o vento


 


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O mar é longe



O mar é longe, mas somos nós o vento;

e a lembrança que tira, até ser ele,

é doutro e mesmo, é ar da tua boca

onde o silêncio pasce e a noite aceita.

 



Donde estás, que névoa me perturba

mais que não ver os olhos da manhã

com que tu mesma a vês e te convém?

 



Cabelos, dedos, sal e a longa pele,

onde se escondem a tua vida os dá;

e é com mãos solenes, fugitivas,

que te recolho viva e me concedo

a hora em que as ondas se confundem

e nada é necessário ao pé do mar.

 

 

Poema de Pedro Tamen

(1934-2021)

 

 

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