Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Um dia serei eu o mar e areia

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Em todos os jardins hei-de florir
Em todos beberei a lua cheia,
Quando enfim no meu fim eu possuir
Todas as praias onde o mar ondeia


Um dia serei eu o mar e areia,
A tudo quanto existe me hei-de unir,
E o meu sangue arrasta em cada veia
Esse abraço que um dia se há-de abrir.


Então receberei no meu desejo
Todo o fogo que habita na floresta
Conhecido por mim como num beijo.


Então serei o ritmo das paisagens,
A secreta abundância dessa festa
Que eu via prometida nas imagens.


 


 


 


Sophia de Mello Breyner Andresen


 


 

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