Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Um punhado de terra

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Tenho um punhado de terra já exausta, cultivei tantas coisas nela e durante tanto tempo que anulei por completo a sua reprodução, fartei-me de a regar, mas a terra era sempre a mesma,  as culturas não nasciam, ou então cresciam raquíticas e sem sabor. Foi longo o período em que estive em busca de encontrar as soluções para que tudo aquilo tivesse um final fim feliz, culpava a terra, as sementes, a água, o Sol, o vento, a chuva, o frio. Nem me lembrava que a agricultora era eu, as escolhas eram as minhas, o tempo era o meu. Um dia fartei-me daquela terra e olhei à minha volta, havia tanta terra bravia por descobrir. Montanhas, vales, planícies. Porque continuava eu ali a tentar obter algo quando o que via não me levava a nada? 


 


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Um punhado de pó,


um punhado de terra,


um punhado de vida,


por cada um - três actos.


 


Em cada acto uma verdade,


de trás para a frente,


em linha,


a coberto e a descoberto.


 


Um mundo por inventar,


para descobrir, 


ousar,


um punhado de tudo.


 


 


Ilustrações são de Hannah Lock

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